quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Isolamento musical

Logo que sai de casa, o primeiro passo é plugar o fone de ouvido na orelha e colocar o playlist para funcionar, o ônibus e/ou o metrô toca o som da primeira faixa do dia, que sempre varia, dependendo do humor pode ser um som mais dançante, pesado ou até mesmo lento. As pessoas conversando ao lado têm a voz da cantora da estação; os carros e as buzinadas, o som dos comerciais da rádio.

O caminhar pela avenida é solitário e musical.

Até chegar ao trabalho, a música rola solta e isso acontece durante todos os dias da semana, quando a bateria descarrega, o livro entra em ação, ou uma revista – mesmo que de futilidades – o importante é não conhecer as pessoas e nem os sons reais da cidade, o que vale mesmo é viver apesar da cidade, como se ela fosse apenas um árduo sofrimento, o caminho, o calvário triste que nos conduz de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

Pássaros, pedidos de ajuda, o colega do lado, o simples “bom dia, como vai?” São perfumarias – isso sim é fútil. A vida do outro não importa. “Pago minhas contas, resolvo meus problemas. Não quero ninguém novo e que ninguém me ajude para que eu não deva favor também”.

Será que está certo? Será que o sentido é esse? A individualidade total? A minha música, o meu livro, o meu assento. Tudo meu e nada nosso?

A música, a arte, os livros são importantes e devem continuar sendo consumidos,apenas evite exageros. A vida do outro é muito mais importante, ela reflete diretamente na sua.

O outro é o próximo, e o próximo é o outro você no mundo.


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