quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Romeu moderno

Lembro daquela casinha perfeita e das coisas que ficaram para trás. Café da manhã na cama, almoço no jardim e o cheirinho do jantar. Tudo que tínhamos e que hoje é só saudade.

A parede tem suas marcas, os espelhos estão quebrados, a porta não fecha. Ninguém entra, ninguém sai. Nunca mais vi o sol e nem as flores que plantamos. Vivo no breu.

No chão estou! A casa está vazia. Os móveis estragaram-se e o imóvel me aprisiona. Não faço a barba, não tomo banho há dias. Garrafas no chão, comida enlatada – o pouco que como, divido com os ratos e as baratas. Estou em outro lugar, totalmente desfigurado. É reservado para mim um fim tranquilo, silencioso e solitário, desde o dia que foi embora.

Porque tomou tudo? Porque me tomou você?

Antes tivesse tomado veneno, não meus bens.


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