quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crime passional

Desliguei, sai correndo, suei bastante, escolhi a melhor flor que vi no caminho, retirei e levei comigo, era um presente singelo, um presente que ela, com certeza vai adorar.

Enquanto ela dormia, eu corria para chegar mais rápido e aproveitar o pouco tempo que teríamos. Meu almoço seria me servir da presença dela, para mim não haveria sabor melhor, nada que me alimentasse mais do que vê-la.

Esqueci tudo que foi dito. Queria ver seus lábios e seu rosto expressar aquela raiva desnecessária.

Cheguei, ganhei um abraço; ganhei o dia. Um pouco adoecida e com a voz rouca, me disse palavras bonitas, coisas que eu adorei ouvir. Percebi que não existe distância mais agradável do que aquela que juntam as bocas e, separam os olhares – milímetros de distância. Tudo ficou mais claro.

Compreendi que letras, frases, e vozes no telefone não superam a falta, e estimulam o desentendimento. Os cinco sentidos precisam ser preenchidos numa frenquencia cada vez maior. A presença física se torna indispensável, e foi o que eu fiz...

Sai contra o tempo para encontrá-la, esqueci os desentendimentos, me enchi de muito mais amor. Matei! – à queima roupa – as discussões, com tiros de desculpa, e tudo ficou mais calmo num abraço.

Não importava mais quem havia errado. O verdadeiro culpado estava morto!



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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Banquete

Saliva vira mel;
Teto vira céu;
Cama vira teia;

Seu corpo, minha ceia.


Ame. sirva-se!


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sorte ou Revés?

Pronto! Não pago mais impostos; não tenho dívidas. Doei todas elas!
Ganhei liberdade. Deveria estar feliz.

O tapete verde foi arado. Minhas torres foram perdidas, sem controle, apostei tudo. Meus números giraram, giraram, e a roda da vida não parou aonde eu queria. Simplesmente rodou e, me jogou pro outro lado. Tô fora! Perdi!

Garrafa coberta com um saco de papel, roupas sujas e rasgadas. Frio. Sem rumo, sem sono. Tento puxar conversa com um senhor que passa pela rua, sem sucesso. Continuo caminhando e a garoa fina começa a cair.

É tarde e as pessoas julgam através de olhares a minha insistência em não voltar pra casa, mas talvez desconfiem se tenho ou não um lar.
Cada vez mais comum é a hostilidade.

Dou adeus ao Domec, conto os passos, conto mentiras pra mim. Perco as contas. Adeus consciência.

Sento no banco da praça, deito sob a garoa. Acordo com a lambida de um cachorro. Segundo o relógio da padaria logo a frente, já passava das 6 da manhã, entro, peço um café. Moeda da sorte. A que restou depois do azar. Final da aventura. Começo de outra...

Amargo eu sigo, assim como o café. Até acabar.


Conseguir mais fichas, perder, ganhar. Apostar na vida.


Quer jogar?

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Baixinha

Temos uma forte ligação há muito tempo. É tão difícil me separar dela, nascemos para vivermos juntos, nem que por pelo menos por 8 horas por dia, mesmo que às vezes não seja o suficiente.

Me conforta, me relaxa. Antes de qualquer coisa e depois de tudo, eu sempre a encontro para o nosso momento; para as nossas horas de pura tranquilidade – isso depende do tempo – no calor a nossa relação é mais complicada, rolo de um lado pro outro, procuro a melhor posição. Sinto desconforto! No frio o amor é intenso, me prendo nela, me enrolo, e me encolho todo. Clima perfeito!

Quando tenho hora marcada para sair quase choro em deixa-lá, mas é preciso.
Desarrumada ou não, aguarda ansiosa a minha volta. Calada assim como o criado, é fiel – morre de ciúmes quando durmo fora ou escolho o sofá para descansar – ouve todos os meus pensamentos, agradecimentos e reclamações do dia.

Sonhando, dormindo ou acordado, ela me acolhe, só basta que eu me deite.



– Sobre ela eu sonho, sobre ela tenho pesadelos. Sobre ela eu fico

Até que o despertador nos separe!


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Coma

Falta de inspiração que leva a não escrever. Apagão!

Depois de uma queda da própria altura, bati a cabeça no chão – amnésia temporária. Falta de idéias, falta de vontade, nada me faz escrever, nisso a vida fica sem graça, e eu deixo de ser o que mais gosto.
Esqueço de escrever sobre o que me perturba, dislumbra ou até mesmo o que passa pelos meus olhos.
Coisas que sempre dei atenção, coisas que ninguém – nem eu mesmo reparo – deixam de ser argumentos.

Imaginação pura, agora é escassa. Durmo sem sonhar!

Desnutrido.

Quero um banquete lá no futuro, e a fome de agora me fez desmaiar.
Desmaiado não cozinho, não frito, não tempero, e a vida perde o sabor.

Sem graça e sem sal.


Preciso buscar alimento. Preciso comer, mas antes tenho que acordar do coma!



.buscar inspiração na vida, alimenta a alma.

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